Por Que nos Importamos Tanto com o que os Outros Pensam? Uma Reflexão Espiritual e Psicológica
Você já se pegou pensando: “O que os outros vão pensar de mim?” ou até mesmo deixando de ser quem realmente é para não desagradar familiares, amigos ou colegas de trabalho? Esse comportamento é mais comum do que parece. Muitas pessoas moldam sua vida em função do olhar externo, vivendo como se estivessem num palco onde a plateia são os “outros” — e não a própria alma.
Esse dilema não é novo. Psicólogos, filósofos e mestres espirituais já analisaram profundamente essa tendência humana.
Publicidade
O Medo da Reprovação: Raiz Psicológica
Erich Fromm, psicanalista e filósofo humanista, escreveu em O Medo à Liberdade que o ser humano teme profundamente a rejeição, pois ser excluído significava, em tempos antigos, risco real de sobrevivência. Esse traço ancestral ainda está dentro de nós: buscamos aprovação porque, inconscientemente, associamos aceitação a segurança.
Da mesma forma, Carl Jung falou sobre a “persona”, a máscara social que criamos para sermos aceitos. Ele alertava que, quando nos identificamos demais com essa máscara, deixamos de viver nossa verdadeira essência, mergulhando em conflitos internos e doenças emocionais.
O Encaixe na Sociedade: Um Caminho Ilusório
É comum ouvir que “queremos apenas nos encaixar” na sociedade. Porém, Brené Brown, pesquisadora sobre vulnerabilidade e coragem, lembra que pertencer não é o mesmo que se encaixar. “Encaixar é mudar quem você é para ser aceito. Pertencer é se aceitar primeiro e, então, encontrar um lugar onde essa aceitação é recíproca.”
Ou seja: quando nos moldamos para agradar, não conquistamos pertencimento real, apenas desempenhamos um papel. E esse papel nunca satisfaz a alma.
O Olhar Espiritual
Na ótica espiritual, o motivo profundo pelo qual as pessoas se importam tanto com a opinião alheia é o esquecimento de quem são em essência: espíritos eternos em jornada evolutiva. O apego às máscaras sociais é, na verdade, um apego ao ego — esse personagem transitório que teme julgamento e busca validação.
Krishnamurti dizia: “A preocupação com a opinião dos outros nos mantém prisioneiros. A verdadeira liberdade surge quando não somos moldados pelo medo ou pela comparação, mas guiados pela consciência.”
Quando deixamos que a opinião externa nos paralise, estamos entregando nosso poder de escolha à ilusão, e não à verdade da alma.
O Exemplo da Vergonha Espiritual
Certa vez, uma prima se sentiu desconfortável em se expor ao meu lado porque sou espiritualista e ela pertence a uma religião dogmática. O que estava em jogo ali não era a minha presença, mas o medo dela de ser julgada pela “opinião dos outros” sobre estar ao lado de alguém que rompe os moldes.
Esse é o retrato claro de como o condicionamento social age: quando a espiritualidade é vivida com liberdade, pode ser vista como ameaça para aqueles que ainda se apegam ao olhar externo. Mas, do ponto de vista espiritual, ninguém está errado — apenas em estágios diferentes do mesmo aprendizado.
Como Romper com Esse Ciclo
-
Autoconhecimento: Como Jung dizia, precisamos olhar para além da persona e nos reconectar com a essência.
-
Coragem da vulnerabilidade: Brené Brown aponta que se mostrar como realmente somos é o caminho para o verdadeiro pertencimento.
-
Prática espiritual: Meditação, oração ou contemplação ajudam a dissolver o ego e ouvir a voz da alma.
Consciência do eterno: Quando lembramos que somos espíritos imortais, percebemos que a opinião alheia é efêmera e não define quem somos.
Importar-se com o que os outros pensam é, em grande parte, um reflexo do medo ancestral da rejeição e da identificação excessiva com a persona. Mas tanto a psicologia quanto a espiritualidade nos convidam a olhar além disso: viver de acordo com a alma, e não com a plateia.
No fundo, quando deixamos de nos expressar por medo, estamos negando o chamado mais sagrado: sermos autênticos à centelha divina que habita em nós.
E você, já deixou de ser quem realmente é por medo do julgamento dos outros?
Publicidade
Comentários
Postar um comentário